A PANDEMIA DA IGNORÂNCIA

Cidade

A PANDEMIA DA IGNORÂNCIA

Crédito: Bill Oxford/istock

|Por Silmar Ramos do BrOnline com Luiz Alberto Martins da Costa – Toledo (PR) | - Desde que foram registradas as primeiras suspeições, infestações e depois mortes pelo Coronavírus, o Covid 19, no País, as redes sociais, além de determinados meios de comunicação social, foram tomados, literalmente, por “especialistas” e falsos conhecedores dos males da pandemia.

Nesse emaranhado de informações e boatos, se tornou difícil saber o que é realmente verdadeiro e muitas orientações corretas, acabaram sendo ignoradas ou mal interpretadas, com a disseminação do medo e do pânico coletivos.

Associada à politização de tudo o que se fala e ou que se faz no País, as notícias corretas e informações relevantes, acabaram se perdendo em meio a “fake news” e outras tantas bobagens e absurdos, que resultaram em enorme desserviço prestado à população menos informada, por uma legião de falsos malandros ou idiotas, que em nada contribuem para amenizar o sofrimento físico e psicológico da sociedade.

Apesar de todas essas distorções, precisamos reconhecer que a pandemia, não restam dúvidas, vai contaminar e matar impiedosamente muita gente e entre elas, poderão estar pessoas bem próximas de nós, infelizmente.

Separando o joio do trigo ou a mentira da verdade, vale levar a sério o conselho de quem realmente entende de saúde e respeita a população, é bom ter medo do novo vírus e se prevenir de sua contaminação. De nossa parte, assumimos esse temor e procuramos transformá-lo em ações preventivas, visando a proteção de nossas famílias, nossos semelhantes e de nós mesmos.

Mas também nessa situação, precisamos ser racionais em nossas atitudes, pois de nada adianta amedrontar-se de forma exagerada e irresponsável, ao ponto de ir contra as regras para evitar a disseminação da nova peste.

O Covid 19, é bom lembrar, mesmo não tendo a letalidade de outras epidemias, também não se trata de uma simples gripe ou resfriado. Na verdade, é uma doença que se propaga muito rapidamente e pode se agravar muitos nos próximos dias, porque não vivemos em país onde as estruturas de saúde são modelos de eficiência e modernidade.

Pelo contrário, o sistema de saúde pública é muito deficiente e faltam leitos de internação e de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), além de respiradores, outros equipamentos e medicamentos, tanto em hospitais, públicos e privados, como nas demais unidades de atendimento de urgência à população de todo o País.

Para superar essas deficiências e vencer o desafio do Coronavírus precisamos assumir que necessitamos muito mais de bom senso, ações coletivas concretas e investimentos públicos, do que de simples piadas, por mais inocentes que pareçam, mas que representam descaso com o sofrimento de nossos semelhantes.

Está certo que o bom humor, o otimismo e a autoconfiança contribuem para o aumento da imunidade natural de nossos organismos, mas muitas das gozações e piadas com a peste só irão acabar quando algum familiar dos engraçados adoecer, mas uma eventual reação furiosa de nada adiantará na busca de culpados por suas perdas e frustrações.

O contágio rápido, que já se torna evidente em muitas regiões do País e do mundo,  tem o agravante da ignorância de pessoas que desconhecem a gravidade da situação e as necessidades dos contaminados, incluindo o isolamento social e a dotação de estruturas que ofereçam o mínimo de conforto para as pessoas em tratamento ou em situação de risco, como moradores de rua ou de favelas.

O mesmo ocorre com agentes de saúde trabalhadores de setores essenciais, desde hospitais, unidades de saúde, farmácias, supermercados, postos de combustíveis, transportadores e indústrias, que precisam trabalhar ainda mais nesses momentos cruciais, em nome da sobrevivência da sociedade e também da economia local, regional, estadual e nacional.

O vírus letal, infelizmente, terá como aliados contra a saúde, o bem-estar e a vida dos nossos semelhantes, a ignorância e a insensibilidade de determinadas pessoas, que mesmo sem poder alegar total desconhecimento da preocupante realidade que vivemos e sabendo das consequências de suas irresponsabilidades, agem como se não fizessem parte de nossa sociedade e do próprio grupo de risco de ser contaminados pela pandemia.

 Se vão morrer mil, cinco mil, 10 mil ou 100 mil seres humanos, brasileiros ou não, não sabemos,  mas ainda que fossem 10, 50 ou 100, seriam vidas humanas sacrificadas, sonhos destruídos e familiares sofrendo a perda de entes queridos, incluindo filhos, pais, avós e tios. Buscar a conscientização dessa realidade e selecionar ações ao nosso alcance para contribuir para a prevenção e contenção dos males da peste, são obrigações de todos nós.

São responsabilidades e tarefas que precisam ser assumidas e efetivadas no tempo certo e com a eficiência necessária, pois o sentimento de culpa pelo sacrifício de vidas humanas poderá ser ainda mais doloroso do que o enfrentamento da perda de familiares e amigos que muito amamos.

 

Galeria de imagens

Fonte: crédito/imagem: Bill Oxford/istock

Últimas Notícias